quarta-feira, 17 de julho de 2013

Texto escrito com a finalidade de responder umas questões de minha colega de sala e companheira de sofrimento Lígia Andrade.
Espero que sirva pros seus objetivos :)


Três anos e meio e um suspiro.

     Entrar na universidade estava nos meus planos desde os meus 10 anos de idade. Esse já é um fato que marca minhas lembranças, uma vez que desde esta época eu e minhas duas melhores amigas falávamos sobre as vantagens de uma instituição pública e de instituições privadas... Assunto meio estranho para crianças desta idade. Tudo influência de uma mãe que desde sempre viu o estudo como algo de importância ímpar, e que desde que soube que suas filhas alcançaram uma certa maturidade, passou a conversar sobre esta etapa da vida, e por em nossas mentes que a melhor forma de independência era buscar o conhecimento.
     Quando chegou o ensino médio, surgiu a boa e velha dúvida sobre qual caminho seguir, o velho sonho infantil pedia medicina, a vontade de instigar a curiosidade dos mais novos pedia algo que me tornasse professora. A dúvida e as condições da época escolheram Serviço Social - Unesp - Franca.
     Por ter conversas recorrentes dentro de casa, nunca me senti pressionada a entrar em uma faculdade, aquilo já fazia parte de mim a tanto tempo, que existia sim uma enorme ansiedade, planos sem fim... A vontade de morar fora não foi possível, mas a saída da rotina infantil conta até hoje como uma experiência sem igual. Mas hoje acredito que entrei bem imatura neste novo mundo, e que formar-me com 22 anos é uma responsabilidade grande, ainda não me sinto confortável com a ideia de ter um 'alvará' em forma de diploma falando que sou alguém capaz de lidar com uma profissão tão complexa.
     Conhecer uma nova perspectiva do mundo não é fácil, ainda mais em uma época em que nossos ideais são destruídos a todo momento, é bem desafiante filtrar a quantidade de informações que recebemos daqueles chamados veteranos. Passei por crises de identidade, de religião, de visão política, percepção familiar... Tudo!
     Reconhecer que fomos criados de forma egoísta e meritocrática foi o maior desafio subjetivo, pois foi o primeiro lugar em que convivi com pessoas de diferentes idades e crenças, onde conversar é a única forma de criar inimizades e falsas idéias das pessoas. Finalmente considerei a ideia alheia, as diferentes formas de criação e educação, entretanto a noção de respeito mútuo se afirmou definitivamente, pois pude compreender diferentes formas de ser.
     O maior obstáculo foi começar a trabalhar no meu segundo ano de faculdade, viajar todos os dias para uma cidade vizinha, não encontrar tempo para estudar, ficando fora praticamente 15 horas por dia. Mas nenhuma situação vem desligada de um novo conhecimento, passei a entender e me preocupar com uma nova realidade a qual não conhecia: a dos estudantes trabalhadores. Percebi a dificuldade que é buscar uma melhora intelectual e financeira frente a um mercado de trabalho tão precário e massante, reparei que a educação é super valorizada enquanto você tem dinheiro para se mantem sem precisar trabalhar, e que no momento em que você busca um estágio pra por em prática 3 anos de teoria, você se vê barrado por pessoas sem ética, que defendem direitos e acesso individual. O estudo é algo elitista, e as pessoas são hipócritas.
     Enfim, e a despeito de tantos tropeços, a faculdade é um lugar que instiga o crescimento humano das mais diversas formas, e apesar de seu constante desmonte ela ainda é capaz de formas mentes preocupadas com uma sociedade justa.

A utopia ainda não dormiu.



Gabriela Fernandes Guimarães
4º ano de Serviço Social
21 anos

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